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Covid-19: Hospitais privados disponibilizam camas para reforçar cuidados intensivos

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O presidente da Associação Portuguesa da Hospitalização Privada (APHP), Óscar Gaspar, afirmou esta quinta-feira que os hospitais privados estão disponíveis para desmarcar cirurgias para libertar camas e capacidade de cuidados intensivos.

O representante dos hospitais privados defendeu a disponibilidade do setor para uma maior articulação e apoio ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), para doentes covid e não covid, referindo que os privados “não se põem de fora do apoio direto à questão da covid e também dos cuidados intensivos, havendo essa disponibilidade”, num debate online, dedicado à saúde e apoio social, no âmbito do Ciclo de Conferências Retomar Portugal organizado pelo BPI, Jornal de Notícias e TSF.

“Temos vindo a insistir nas últimas semanas que era muito importante conhecer o planeamento do Ministério da Saúde, porque há a possibilidade de também os privados cancelarem as cirurgias, como está a ser feito numa série de hospitais públicos, no sentido de também libertarmos camas e capacidade de cuidados intensivos, nomeadamente para a covid ou para recebermos pessoas que hoje estão internadas nos hospitais do SNS e que venham a ser transferidas para os hospitais privados”, disse Óscar Gaspar.

Questionado sobre preocupações levantadas recentemente com os impactos do adiar de consultas e cirurgias no avolumar de listas de espera, Óscar Gaspar disse que a maior preocupação neste momento deve ser com os cuidados de saúde primários e não com os cuidados hospitalares, que “estão a trabalhar e mobilizados, seja para covid ou não covid”.

“Preocupa-me muito o nível baixo de atividade dos cuidados de saúde primários, que por sua vez, não prescrevem às pessoas cuidados de diagnóstico, não referenciam para o serviço hospitalar e pode dar-se aqui este caso irónico de, no final deste processo, termos menos pessoas nas listas de espera do que tínhamos. Por um efeito aqui de evidente inércia, ou seja, as pessoas pura e simplesmente não estão a alimentar as listas de espera, porque não estão a ser referenciadas […] Isto é um problema da maior gravidade. Mais do que a questão dos hospitais penso que é a questão dos cuidados de saúde primários que devia fazer acender umas luzes vermelhas neste momento no Ministério da Saúde”, afirmou.

Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, disse, por seu lado, que para além dos casos clínicos que estão a ser deixados para trás e a permitir-se uma evolução para casos mais graves será preciso também atenção especial à saúde mental e a um reforço de resposta nesta área.

Defendeu também que “estamos num momento excecional que implica a colaboração de todos” e que nesta situação “não há recursos que possam ser dispensados”, lembrando o “contributo inultrapassável” dos privados em matéria de testagem à covid-19, sem o qual estaríamos agora em “muito piores lençóis”.

Sobre testes, Ricardo Mexia destacou as diferenças, mas também a utilidade dos três tipos de testes disponíveis – antigénio (rápidos), PCR, serológicos – sublinhando que nenhum substitui qualquer dos outros.

Sobre os rápidos, mais baratos, Ricardo Mexia sublinhou a expectativa depositada nestes testes para o combate à pandemia, referindo que apesar de uma sensibilidade menor, ao detetarem infeções num ponto em que as pessoas estão mais contagiosas, por fornecerem resultados rápidos podem ter uma utilidade maior na quebra de cadeias de transmissão, um objetivo para o qual, insistiu, continua a ser necessário alocar mais recursos humanos e não apenas anunciá-los, sobretudo para os inquéritos epidemiológicos e contactos de vigilância.

Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), sublinhou que os testes rápidos vão permitir adotar medidas mais rapidamente nos lares e sobre as brigadas de intervenção rápida, recentemente criadas para agir de emergência em lares com surtos, comentou o caso do lar de Alhandra – onde os responsáveis disseram que a intervenção das brigadas demorou uma semana após ser conhecido o surto – referindo que tem sido difícil encontrar pessoas para integrar estas equipas, porque “trabalhar com idosos não é apetecível” e as pessoas têm medo de o fazer em contexto de pandemia.

Adiantou ainda que a residência com 160 lugares disponíveis para acolher doentes de covid-19 já em recuperação, na Póvoa do Lanhoso, Braga, recebe na sexta-feira as primeiras 20 pessoas.

Óscar Gaspar deixou ainda preocupações com o “pouco investimento” em saúde do país, que deixa Portugal “muito abaixo da média europeia”, e com os dados que revelam que apesar dos impostos os portugueses ainda pagam do seu bolso 30% dos seus cuidados de saúde, contra, por exemplo, uma comparticipação direta na ordem dos 13% na Alemanha, defendendo que é necessário “mais investimento na saúde que não pode recair sobre os cidadãos, já sobrecarregados”.

Sobre a notícia de que nos últimos meses mais 600 mil portugueses contrataram seguro de saúde, considerou-a “surpreendente numa altura em que as pessoas estão com quebras de rendimento”, mas reveladora de que as pessoas estão a “procurar alternativa para aceder a cuidados de saúde”.

“Enquanto presidente da APHP fico muito satisfeito com esta escolha, mas enquanto cidadão fico preocupado com o facto de haver esta avalanche de pessoas que de repente entende que pode não ter acesso ao SNS”, disse.

Portugal contabiliza pelo menos 3.701 mortos associados à covid-19 em 243.009 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

O país está em estado de emergência desde 09 de novembro e até 23 de novembro, período durante o qual há recolher obrigatório nos concelhos de risco de contágio mais elevado e municípios vizinhos. A medida abrange 191 concelhos.

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Covid-19: Congresso do PCP começa esta sexta-feira apesar da polémica

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Com metade dos delegados habituais, o PCP inicia hoje, em Loures, o seu XXI congresso que mesmo antes de começar já tinha gerado polémica por se realizar durante a pandemia de covid-19.

No total, serão cerca de 600 os delegados –contra os 1.200 de 2016 – num congresso que deverá confirmar a continuação de Jerónimo de Sousa, secretário-geral desde 2004, há 16 anos, sucedendo a Carlos Carvalhas, e que fará o discurso de abertura.

Os militantes comunistas reúnem-se num concelho governado pelo comunista Bernardino Soares e no mesmo pavilhão, Paz e Amizade, de Loures, onde o XIII congresso, em 1990, elegeu para “número dois” do partido, então liderado por Álvaro Cunhal, o economista Carlos Carvalhas, que agora abandona o comité central.

Este será o primeiro congresso pós-`geringonça´ e em que serão tiradas as “lições” desse período de entendimento parlamentar entre a esquerda, incluindo o PCP, e o PS e a que os comunistas chamam “nova fase da vida política portuguesa”.

Nas teses, ou proposta de resolução política, o partido faz um balanço positivo embora “limitado” dos anos da “geringonça”, um período que, embora complexo e “com contradições”, não pode ser usado para “branquear a política e ação do PS”.

E em entrevistas recentes, Jerónimo de Sousa colocou dificuldades a uma eventual reedição de um entendimento idêntico, admitindo, por outro lado, que a crise pandémica, desde março, abriu mais divergências com os socialistas.

Hoje, primeiro dia do congresso, os trabalhos começam pelas 10:30 e a primeira parte será dedicada ao discurso, que se prevê longo, de Jerónimo de Sousa sobre os quatro últimos anos, desde o congresso de 2016.

Para sábado, está prevista a eleição do novo comité central, de onde sairão o ex-deputado Agostinho Lopes, o antigo líder da CGTP Arménio Carlos e Carlos Carvalhas, antecessor de Jerónimo de Sousa.

Até ao momento, o PCP não deu qualquer sinal de que qualquer mudança na liderança, a ponto de Jerónimo de Sousa ter admitido que poderá continuar como secretário-geral e até disse na SIC, em 12 de outubro: “”O meu partido precisa ainda da minha contribuição.”

Ainda em outubro, o jornal Público fez manchete da notícia de que Jerónimo continuaria mais algum tempo e que as regras sanitárias de combate à pandemia de covid-19 têm dificultado as reuniões e o debate interno prévio ao congresso do PCP para se tomar uma decisão dessa importância.

O secretário-geral dos comunistas é escolhido pelo comité central, eleito em congresso.

No total, serão 600 os delegados que, desta vez, e por causa da epidemia, terão apenas cadeiras para se sentar, sem mesas, de forma a manter a distância de segurança entre si, e que vão também espalhar-se pelas bancadas. E não haverá delegações estrangeiras convidadas.

Apesar de ser organizado segundo regras da Direção-Geral da Saúde (DGS), o congresso está a ser polémica e criticado por dirigentes partidários, especialmente do PSD e do CDS.

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Covid-19: Especialistas estimam 1.400 internamentos na próxima semana só no Norte

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Um especialista indicou esta sexta-feira que a situação epidemiológica na região Norte está a começar a “abrandar”, embora na próxima semana a região possa continuar a contabilizar 1.400 internamentos, 300 internamentos em unidades de cuidados intensivos e 40 óbitos diários.

Em declarações à agência Lusa, Milton Severo, responsável pelas projeções do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) afirmou que, nos “últimos cinco dias, os valores observados [na região Norte] têm sido inferiores aos das previsões”, um “sinal positivo”, demonstrativo de que, “finalmente, a região está a conseguir aplanar” os casos de infeção.

Ainda que a situação epidemiológica aponte para uma “estabilização”, as previsões do ISPUP indicam que na próxima semana a região pode contabilizar 1.400 a 1.500 internamentos nas unidades hospitalares.

“Tivemos uma fase, entre 18 de outubro e 01 de novembro, em que os internamentos duplicavam a cada 11 dias. Nesta fase, estão a duplicar só a cada 60 dias, ou seja, está a diminuir claramente o crescimento”, referiu Milton Severo.

No que aos internamentos em unidades de cuidados intensivos (UCI) concerne, as previsões do instituto do Porto apontam “para 300 a 340” doentes com o novo coronavírus, que provoca a covid-19.

Milton Severo afirmou ainda que a região deverá continuar a contabilizar, por dia, 3.000 a 4.000 casos de novas infeções pelo SARS-CoV-2 e 40 óbitos.

“Podemos dizer que estamos num planalto, isto é, que vamos manter estes números, até porque o índice de transmissibilidade [vulgarmente designado R] está a abrandar e ronda os 1.15 a 1.2 na região”, disse

O ideal “seria, no entanto, que estes valores começassem a descer”, afirmou.

Também Pedro Chamusca, da direção da Associação Portuguesa de Geógrafos (APG) afirmou à Lusa que os mapas da distribuição geográfica da evolução da pandemia, feitos a partir dos dados da Direção-Geral de Saúde (DGS), mostram que a região está, tendencialmente, a começar a “atenuar” a situação epidemiológica.

“Há sinais de que estamos a conseguir atenuar os efeitos nos territórios com mais exposição. A tendência, agora, é começarmos a atenuar a situação a duas velocidades”, disse.

De acordo com o responsável, nos territórios com menos indústria e necessidade de deslocações “a diminuição será mais rápida”.

Para Pedro Chamusca, também investigador na Universidade de Aveiro, a “incidência não vai para valores razoáveis que permitam o aliviar de quaisquer medidas”.

“Parece-me mais complicado inverter a tendência nos concelhos que têm uma grande exposição e forte atividade industrial”, disse, considerando que estes territórios deveriam ser vistos “à lupa” por forma a encontrar “soluções para diminuir o número de casos”.

Portugal contabiliza pelo menos 4.209 mortos associados à covid-19 em 280.394 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

O país está em estado de emergência desde 09 de novembro e até 08 de dezembro, período durante o qual há recolher obrigatório nos concelhos de risco de contágio mais elevado.

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Covid-19: Não pode circular entre concelhos entre as 23:00 de hoje e as 05:00 de quarta-feira

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Existindo 10 exceções para a medida prevista no estado de emergência, decretado devido à pandemia de covid-19, a circulação entre concelhos no território continental é proibida entre as 23:00 de hoje e as 05:00 de quarta-feira.

De acordo com o decreto do Governo que regulamenta a aplicação do novo estado de emergência, que entrou em vigor na terça-feira, será proibido circular para fora do concelho de domicílio entre as 23:00 de 27 de novembro e as 05:00 de 02 de dezembro, “salvo por motivos de saúde ou por outros motivos de urgência imperiosa”.

A proibição voltará a aplicar-se novamente entre as 23:00 de 04 de dezembro e as 23:59 de 08 de dezembro.

No decreto estão estabelecidas 10 exceções à proibição de circulação entre concelhos de Portugal continental, nomeadamente as deslocações para desempenho de funções profissionais com declaração emitida pela entidade empregadora ou pelo próprio, no caso de trabalhadores independentes e empresários em nome individual.

Os profissionais de saúde e trabalhadores de instituições de saúde e de apoio social, os professores e pessoal não docente dos estabelecimentos escolares, os agentes de proteção civil, as forças de segurança, os militares e os inspetores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) não necessitam de declaração da entidade empregadora para circular.

Podem igualmente circular entre concelhos os titulares de órgãos de soberania, dirigentes dos parceiros sociais e dos partidos políticos representados na Assembleia da República e “pessoas portadoras de livre trânsito emitido nos termos legais”, assim como ministros de culto, pessoal de missões diplomáticas e consulares e das organizações internacionais localizadas em Portugal.

São também permitidas as deslocações para os estabelecimentos escolares, para centros de dia, para participar em atos processuais e para atendimentos em serviços públicos, desde que munidos de um comprovativo do respetivo agendamento.

As deslocações necessárias para “saída de território nacional continental” e de cidadãos “não residentes para locais de permanência comprovada” podem igualmente ser realizadas, tal como “deslocações por outras razões familiares imperativas, designadamente o cumprimento de partilha de responsabilidades parentais”.

É ainda permitido o “retorno ao domicílio”.

As medidas de contenção da pandemia da covid-19 para o novo período de estado de emergência, que vigorará entre as 00:00 de terça-feira, 24 de novembro, e as 23:59 de 08 de dezembro, foram anunciadas pelo Governo no sábado.

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